STJ define regras para hospedagens via Airbnb em condomínios residenciais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da Segunda Seção, firmou importante entendimento sobre a utilização de imóveis residenciais para hospedagens de curta temporada realizadas por plataformas digitais, como o Airbnb.

Ao julgar a matéria, a Corte decidiu que a exploração frequente de hospedagens temporárias em condomínios residenciais pode depender de autorização da coletividade condominial, especialmente quando a prática impactar a destinação exclusivamente residencial do empreendimento.

Importância da decisão

A principal relevância do julgamento está em seu caráter de uniformização jurisprudencial.

A Segunda Seção do STJ é responsável por consolidar os entendimentos das turmas de Direito Privado da Corte, razão pela qual a decisão tende a orientar tribunais de todo o país em discussões semelhantes envolvendo locações de curta duração em condomínios residenciais.

O precedente possui impacto relevante para proprietários, administradoras, síndicos e moradores, especialmente diante da crescente utilização de plataformas digitais de hospedagem.

O caso analisado

O caso envolveu proprietária que pretendia disponibilizar apartamento para estadias temporárias sem autorização do condomínio.

O condomínio sustentou que a prática descaracterizaria a finalidade residencial do edifício, além de afetar aspectos essenciais da convivência condominial, como:

  • segurança;
  • sossego;
  • privacidade;
  • convivência entre moradores.

Entendimento do STJ

Prevaleceu o voto da ministra Nancy Andrighi, segundo o qual a exploração econômica frequente da unidade pode afastar sua destinação exclusivamente residencial.

Para fundamentar a decisão, o STJ aplicou os arts. 1.336, IV, e 1.351 do Código Civil, reconhecendo que alterações relevantes na destinação do imóvel dependem da manifestação da coletividade condominial.

Assim, o Tribunal concluiu que o uso do imóvel para hospedagens de curta duração poderá ser limitado ou condicionado à autorização da assembleia do condomínio.

Impactos práticos

A decisão reforça a necessidade de equilíbrio entre o direito de propriedade individual e os interesses coletivos inerentes à vida em condomínio.

Além disso, o entendimento consolida importante precedente sobre locações realizadas por plataformas digitais e tende a impactar futuras discussões judiciais em todo o país, especialmente em empreendimentos exclusivamente residenciais.

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